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Literatura

Do virtual ao impresso: a história dos novos poetas

Publicado em 11 de julho de 2017 por

Jovens poetas que escrevem nas redes sociais ganham vez e voz no atual cenário literário.

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Não é nenhuma novidade que as redes sociais deixaram de ser apenas um mero passatempo e se transformaram em negócios. Para jovens talentos no campo da escrita, essa nova forma de divulgação tem se tornado uma parte fundamental para o sucesso. Um dos casos mais famosos é o do publicitário Pedro Gabriel, cuja página “Eu me chamo Antônio” se transformou em livro e agradou muita gente.

Douglas Jefferson, jovem estudante de filosofia do interior paulista, e a paraibana Ester Barroso, estudante do curso de Letras, também são claros exemplos desse processo. Ambos são responsáveis por uma página em crescente ascensão nas paragens do Facebook, “Moça, você é mais poesia que mulher“. Contando com quase 2 milhões de seguidores, a página tem prioritariamente uma função difusora de textos literários, em sua grande maioria de autorias diversas, mas os dois também são poetas, sendo a obra Nascente a primeira dos dois.

O trabalho se trata de uma coletânea conjunta que reúne uma seleção de seus poemas mais inspirados. Poemas que misturam inquietações lírico-românticas com crítica social, a exemplo destes versos do poema “Sonhadores” (Douglas Jefferson): “Donde me perguntava –, nas sombras dos arranha-céus / E na velocidade dos veículos perante o minuto propulsor, / Como a vida moderna esgarçando todos os seus véus, / Há de brotar a mais pura e singela flor?”. Já o poema “Comportas” (Ester Barroso) dá outro tom ao livro: “No meu cercado, senhor / Repousam as asas cansadas e banhadas de vento / Do sabiá que beijou o boa-noite / E perseguiu as velas das nuvens sob a aquarela / Desenhada no céu do horizonte / Pela madrugada molhada tão esperada / Que caiu em gota de tinta verde na serra.”

Outro jovem talento que despontou na Internet, destacadamente na mesma rede social, é o paulistano André D’Soares. Nascido e crescido na periferia da grande São Paulo, teve a sua estreia no mundo literário com a obra Cheiro de Mofo pela editora Penalux.

Seu segundo livro, lançado em maio de 2017, é uma coletânea poética cuja irreverência já se estampa no título – Poemas que escrevi com fome. A obra tem conquistado, pela força crua de seus poemas, muitos leitores. “Inspiração” (p. 15-16): “Longe da civilização, / Trancado num minúsculo quarto / Sob telhas velhas […] / Usando o computador, tentei uma poesia. / Uma poesia capaz de sacudir o mundo […] / Bati nas teclas na mesma proporção / Que a fome batia em minhas tripas; […] / A inspiração não veio./ E a poesia que iria sacudir o mundo, nem a mim sacudiu. / Eu era mesmo uma farsa ou talvez, só Deus sabe, / A própria poesia, que era impossível de ser transcrita.”

“Poesia rude, sem técnica nem estética, que fala de amor, abandono, aponta injustiças, denuncia o machismo e os preconceitos, sofre com a indiferença, e prova que a palavra é a arma para virar o jogo. André D’Soares admite que escreve com o desespero daqueles cuja maior dificuldade para emergir na sociedade ‘está na diferença de largada’. Essa diferença, o jovem poeta combate debochando com a hipocrisia ou denunciando os opressores, em versos que golpeiam o estômago e nos fazem refletir.”, comenta Nanete Neves, jornalista e escritora.

Os dois lançamentos ficam por conta da editora Penalux que não só dão voz e vez a jovens talentos, mas, sobretudo, quem sabe, tragam a eles uma perspectiva de um futuro melhor.

Compre as obras aqui: NascentePoesias que escrevi com fome.

Release/Fonte: Carlos Saldanha, redator cultural.

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